Os/as metodistas e o desafio da temperança

Expositor Cristão já relatou, em 2013, por que os/as metodistas são abstêmios do álcool. O tema sempre gera muita discussão no meio evangélico, e quem não se enquadra nos padrões preestabelecidos pela mídia está fora da moda. O fundador do metodismo, no século 18, não pensava dessa forma. Ele chamava os que vendiam a bebida de “envenenadores e assassinos amaldiçoados por Deus”. João Wesley não se conformou com os estragos que o álcool causou às famílias e aos/as cidadãos/ãs ingleses/as do século 18 e suas doutrinas se expandiram. Abaixo, transcrevemos o texto extraído do livro História do Metodismo, de Paul Eugene Buyers, publicado pela saudosa Imprensa Metodista em 1945. O texto original não tinha a linguagem inclusiva que foi inserida abaixo.

O problema da temperança tem sido sempre uma questão viva entre os/as metodistas. Desde os dias de João Wesley o uso de bebidas alcoólicas tem sido condenado por eles/as. Logo no princípio do metodismo, Wesley incluiu nas Regras Gerais das sociedades metodistas, sobre esse ponto, uma cláusula que diz o seguinte: “Não praticar o mal, evitando principalmente embriagar-se ou mesmo tomar bebidas alcoólicas, fabricá-las ou vendê-las”.

Onde e quando esta regra tem sido observada, as igrejas metodistas foram convertidas realmente em sociedades de temperança. Talvez não tenha havido qualquer outro fato entre o povo evangélico que tenha contribuído mais para criar uma consciência social contra o uso de bebidas alcoó­licas do que estas Regras Gerais da Igreja Metodista.

Mas nem sempre isso tem sido observado pelos/as metodistas. Havia pouco escrúpulo no povo americano nos tempos coloniais e ainda por muitos anos depois da sua independência quanto ao uso de bebidas alcoólicas. Pregadores/as, crentes e incrédulos/as bebiam bebidas alcoólicas. Mas havia sempre grupos de pessoas que combatiam a intemperança. Por ocasião da Conferência de 1780 a uma consulta, se devia desaprovar o costume de fabricar álcool de cereais, se deviam repudiar os/as amigos/as que têm essa indústria, os/as pregadores/as deram resposta afirmativa.

Em 1783 a Conferência Geral tomou uma medida mais forte ainda. À pergunta: “Deve-se permitir nossos/as amigos/as fabricarem, venderem e beberem bebidas alcoólicas?” respondeu-se: “De modo nenhum. Julgamos que elas são prejudiciais na sua natureza e nas suas consequências. Desejamos que todos/as os/as nossos/as pregadores/as assim ensinem ao povo por preceito e por exemplo”.

Em 1786 se modificaram um pouco essas resoluções, enfraquecendo a posição da Igreja Metodista nesta questão e, por mais de cinquenta anos, a voz metodista não foi muito positiva contra esse grande mal social, mas em 1848 a Igreja Metodista Episcopal vestiu de novo sua armadura e entrou na luta contra o alcoolismo. O dr. Wilbur Fisk, que era homem forte, levantou sua voz em protesto contra esse vício. As Regras Gerais de Wesley sobre o uso do álcool foram incluídas, sem alterações, na Disciplina. O movimento de temperança começou de fato nessa época. O estado de Maine, em 1850, votou a lei-seca para todo seu território. Apareceram sociedades de temperança em diversos lugares. Publicou-se literatura sobre o assunto, começou, enfim, uma campanha nacional.

Frances E. Willar, senhora metodista, tornou-se a chefe do movimento de temperança. Foi presidente da Woman’s Christian Temperance Union; e desde 1873 até a hora da sua morte, em 1899, não cessou de combater esse mal social com todas as suas forças e com toda a sua inteligência. Outras organizações apareceram, como a Anti-Saloon League, que agitou essa questão a ponto de incluir um artigo na constituição dos Estados Unidos, proibindo a fabricação e a venda de bebidas alcoólicas. Foi uma grande vitória social, e a Igreja Metodista foi um dos elementos que trabalharam para conquistá-la.

A posição da Igreja Metodista quanto à questão da temperança é resumida no discurso episcopal apresentado na Conferência geral em 1932: “Como igreja não podemos seguir outro rumo senão o que conseguir diminuir o consumo das bebidas alcoólicas ao mínimo. Estamos convencidos/as de que a proibição nacional é esse método”.

Texto extraído das páginas 283 a 284 do livro História do Metodismo, de Paul Eugene Buyers, publicado pela saudosa Imprensa Metodista em 1945.

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